Igreja em Goiânia lança
balada gospel e prega não se preocupar com política do “cancelamento”
 |
Print de tela do vídeo postado pela igreja no Instagram |
Uma igreja em Goiânia, Igreja
Casa, publicou em sua página no Instagram aquilo que poderá transformar o
conceito de balada em culto - sunset
gospel. O evento realizado ao cair da tarde na cidade atraiu atenção de
jovens da região e conquistou milhares de interações de seguidores nas redes
sociais, que expressaram diferentes opiniões. A igreja coleciona polêmicas
pelos cultos realizados, como o “vem novinha”.
Apesar de oficialmente não
constar muitas informações nos perfis oficiais da igreja, o evento foi descrito
pela instituição como abastecido de “muita comida boa, comunhão, drinks sem
álcool e um ambiente surreal”. Em outra parte do post, ela alega que a proposta
foi inovadora e serviu como a primeira de “muitos da natureza”.
Numa breve leitura dos
comentários no post, encontramos depoimentos de pessoas que participaram tanto
da sunset como da igreja. Num deles,
um participante descreveu a sunset
como sendo o “melhor evento que participei nos últimos tempos! Como é bom ser
Casa 😍😍👏👏👏”. Já outro,
em tom mais crítico, comenta: “melhor que muitas baladas da cidade”.
Em outra interação, uma ex-frequentadora
da igreja testemunhou como se sentiu quando visitou a comunidade: “gente, vocês
não entendem o quanto é satisfatório você sentir a presença do Espírito Santo lá,
nessa igreja estranha. [...] Fui visitar e até hoje lembro de como fui
surpreendida naquela noite...detalhe: não conhecia ninguém lá, mas na hora que desabei,
vieram irmãos me socorrer. Lá, nessa igreja "estranha", você é
tratado como irmão. O púlpito não é só para pastores e sim pra quem chega e
quer sentar lá”, disse a pessoa por meio de comentário na rede social da igreja.
A ideia ascende um sinal de
alerta para os cristãos e pastores das demais igrejas: para qual direção o
culto evangélico caminha? Ao notar os elementos da postagem, percebemos que uma
voz, provavelmente do Dj, sugere que tanto a igreja como os participantes do
evento estão pouco preocupados com a política do cancelamento. Em nossos dias,
ser cancelado significa ser criticado, perder seguidores e por vai.
Numa publicação no site Politize,
a escritora Regina Folter diz que “cancelar alguém significa boicotar essa
pessoa, normalmente um artista ou celebridade, por algo que tenha dito ou feito
e que seja considerado moralmente errado ou politicamente incorreto de acordo
com os padrões do grupo no qual você está inserido”. Nesse sentido, compreendemos
que a voz que ecoa na postagem da Igreja “prepare para ser cancelado”, precedida
pela outra que alega que “este é o show”, incentiva o público a participar do
show de cancelamento.
Há algum tempo vemos igrejas se
associando com casas de shows. Na tentativa de se comunicar com gerações mais
jovens, algumas igrejas adotaram cores, cenários, figurinos e outros elementos
que, grosso modo, criam sentido de descolamento do tradicional e que atendem demandas
desse público. Ocorre que a proposta da Igreja Casa arroja e assume características
de balada -no sentido mais completo da palavra- regada a drinks sem álcool.
Outro ponto coletado na
leitura dos comentários está no público que motiva abertura de filiais em outras
cidades e estados. Partindo disso, podemos questionar: será mais um “nicho gospel”
encontrado por alguém? Sobre nichos falarei posteriormente, no entanto, se já
se notam igrejas, incluindo, pentecostais, escurecendo suas paredes e transformando cultos em shows, ancorados
na esteira de obterem melhor fotografia e atrair jove, o que podemos esperar como próximos passos?
Continuarei noutros posts.